Arquivo de agosto \05\UTC 2014

Contador de histórias

Assim como na brincadeira da melodia está parte da beleza da música, a mesma aparece escrita em linhas nas palavras cravadas pelo bom contador de histórias. Não é dele o mérito total, mas sim o papel de minerador de algo novo, que pode inclusive mudar alguma vida, seguindo a mais otimista das visões — e não cabe a ele estipular um padrão para que essas sejam contadas. 

Nesse momento, crenças religiosas ou filosóficas, cor e raça são apenas detalhes na descrição dum personagem. É o que este viveu que conta, e nada mais. E não é assim tão simples. O contador de história é o artífice da vida no papel, e tal qual um, preza pelos mais singelos detalhes, que vão desde uma vírgula mal colocada ao término dum conto no momento certo.

E o que mais o alegra é a proximidade da definição do infinito. Uma vida humana é fisicamente incapaz de transmitr todas as experiências do mundo. Então, imagine você, quantas histórias de superação, engraçadas, e de amor existem por aí? Imagine o que aquele idoso que está à sua janela, fazendo sua caminhada da tarde, guarda. Que história de loucura ou de um primeiro amor aquela adolescente, com mais maquiagem que o normal para uma manhã, tanto grita histericamente para suas amigas? A imaginação do contador de histórias é a talha dourada para a beleza de seus contos. Faça um exercício: da próxima vez que estiver na rua, pense nas pessoas não como desconhecidos e estranhos, mas sim como protagonistas de um drama, comédia, ou uma epopeia.

Ou outro: quando ouvir uma parte interessante da vida de alguém, tente lembrar-se de cada detalhe. Fantasie, substitua algo que não fizer sentido, invente nomes e personagens fictícios, misture sua paleta de cores e crie a sua própria arte. Para uma pessoa virar um contador de histórias basta querer contá-la.

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