Insucesso

Ela era meio “eu não tô nem aí”
Quando fintava seu olhar tão Capitu
Fingia que ligava, e a visão cerrava para ver o futuro
Era meio embaçado, nublado, moroso,  e inseguro
Andava cabisbaixa, como quem não crê no próprio destino
A saia estilosa, a tiara de lacinho, e a blusa com decote,
Formavam seu figurino
 
Determinada entrou no palco, para apresentar seu espetáculo e não decepcionar
Três corações presos à corrente, formavam um colar
Escrevia em preto, num papel, a palavra “confusão”
Foi quando focou a confiança, num momento de desatenção
Sentava na primeira fileira, de cartola, cigarro e borrão
 
A confiança vestia cartola preta, e fumava um charuto
Ajeitava a todo tempo o seu paletó, e num sopro fez a menina mudar
Tomou um coração da corrente, 
e sorriu, como quem diz:
“Vem cá, eu te amo, vou te fazer feliz”
 
Sua postura mudou, com o vento brincou, e nele quis viajar
O teatro lotado já se esvaziava, e passou cada vez mais a pensar
Passou-se muito tempo e ainda assim, a moça era só felicidade
A todo momento só pensava em ter a confiança
Sorria o tempo inteiro, andava olhando o céu
2 anos depois de toda a alegria, conheceu a senhora mudança
 
Invejosa, tratou de mudar seu universo
Tudo que lhe fazia feliz, mudança tratou de jogar na lixeira
Agora pensava, consigo, “quanta besteira
Me maltrata no domingo,
E depois ta comigo na segunda-feira”
 
Sentou-se sem ver onde, e no próprio colo se recolheu
Pensou em vários motivos e causas para tudo isso
“Por que a confiança me traiu com a mudança?
Já não aguento mais tanta personificação.
Quero voltar pro meu quarto, e sair desta canção.”
Porém, enquanto chorava, ali naquela praça, alguém lhe reconheceu
Chegou bem perto, e com as mãos em seu ombro, lhe aqueceu
Do peito tomou-lhe a corrente, e da corrente, mais um coração
“É meu pagamento, sem qualquer relento, pra mim isso já tá bom”
 
E disse: “Às vezes meteoros te enganam, e descrê na constelação
Mas recorre ao infinito, e vê a mais valiosa lição
As constelações do universo só te querem sintonia
Como em todos os seres, o pó das estrelas é a alegria”
 
Levantou a cabeça, que ostentava os lindos lábios, e os grandes olhos de luar
Observou um senhor com trapos em roupa, indo embora, e resolveu repensar
“Já ouvi a música, agora entro na dança pra me libertar”
De pé, olhou bem os trapos de quem ia embora e conseguiu enxergar
“Perseverança”, com os pés de escalço, diferente de mudança, e de confiança, aos outros ia ajudar.
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