Esmeralda

As cortinas se abriram para o ato mais esperado. O cenário, acompanhado por ele, o espectador mais atento ali, da cadeira mais centralizada da fileira mais ao meio, era tenebroso. A produção era tão real que parecia partes de fantasia flutuando em cena. Agora, as nuvens apossavam a parte superior e derramavam água sobre a menina que estava no palco. 

Era o que chamava a atenção do rapaz ali. A única coisa. Ela atuava magnificamente, desde as expressões corporais ao olhar desviado. Ébria de felicidade em sua atuação, dançava e pulava também lhe apetecendo. E então a cena parou. Assim. De repente.

Olhou para os lados, e ninguém na plateia se mexia. Levantou-se fingindo ir ao banheiro, e teve uma visão mais ampla: todos ali estavam congelados no tempo. Mas uma coisa se destacava ante aquela peculiar cena. A menina também havia congelado, e um brilho estonteante, que iluminava todo o teatro, emanava de sua cabeça.

Foi que então o rapaz hesitou. Sentiu medo. Aquele brilho era conhecido, já havia visto em algum lugar que não lembrava onde. Tinha certeza de que já havia visto.

O brilho continuava forte, e ao mesmo tempo que encarava tentando adivinhar o que era, sentia angústia por ter alguma semelhança com uma explosão ou algo parecido. E, às vezes, a luz lhe agradava. Sentia-se aquecido, e seu coração batia mais forte, quase pulava do peito.

Todo esse turbilhão de sentimentos se misturava de acordo com que ia andando em direção à menina. Certas vezes parava e pensava em não ir. Noutras, pensava em voltar à sua cadeira. Em algumas, sem qualquer motivo aparente, começava a andar em direção à saída. 

Os passos marcavam o tempo parado ao calçar o piso do palco, onde, ao centro, estava a menina da luz. Agora, mais perto, a garota parecia emanar a luz da face. Se aproximou em passos mais meticulosos e dignos de espião, não conseguindo, de forma alguma e em momento algum, olhar diretamente para essa luz que lhe trazia uma mistura de sentimentos. 

Em uma olhada de sorte, conseguiu ver que a luz tinha origem dos olhos da menina, os cujos quais eram impossíveis de se ver. A luz cursava todas as direções do recinto. 

O rapaz, então, se aproximou dela com os olhos fechados e as duas mãos em seu rosto. Ia se aproximando quando, num descuido, abriu os olhos.

O que viu?

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