Arquivo de janeiro \27\UTC 2013

Rubi

Vermelha é a luz que se esconde no peito. Clama por ser exposta, mas não.

Se esvai do rubi. Guarda nele o segredo, o rubi bruto, que é tratado no com o tempo.

E faz o escopo do real, mas finge-se. É uma criança que mente e se emburra. Com a menor das ações se alegra. 

São vários os que mensuram seu valor, mas esquecem de saber o seu real.

É ambíguo. Tem cor de sangue, guerra, batalha, e dor. Ao mesmo tempo paixão, amor, e ilusão. 

Provoca, pergunta, declara. Observa, cuida, ampara. Chora e ri.

O rubi se reduz a cada trato. É bruto e volátil.

É ambíguo.

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Esmeralda

As cortinas se abriram para o ato mais esperado. O cenário, acompanhado por ele, o espectador mais atento ali, da cadeira mais centralizada da fileira mais ao meio, era tenebroso. A produção era tão real que parecia partes de fantasia flutuando em cena. Agora, as nuvens apossavam a parte superior e derramavam água sobre a menina que estava no palco. 

Era o que chamava a atenção do rapaz ali. A única coisa. Ela atuava magnificamente, desde as expressões corporais ao olhar desviado. Ébria de felicidade em sua atuação, dançava e pulava também lhe apetecendo. E então a cena parou. Assim. De repente.

Olhou para os lados, e ninguém na plateia se mexia. Levantou-se fingindo ir ao banheiro, e teve uma visão mais ampla: todos ali estavam congelados no tempo. Mas uma coisa se destacava ante aquela peculiar cena. A menina também havia congelado, e um brilho estonteante, que iluminava todo o teatro, emanava de sua cabeça.

Foi que então o rapaz hesitou. Sentiu medo. Aquele brilho era conhecido, já havia visto em algum lugar que não lembrava onde. Tinha certeza de que já havia visto.

O brilho continuava forte, e ao mesmo tempo que encarava tentando adivinhar o que era, sentia angústia por ter alguma semelhança com uma explosão ou algo parecido. E, às vezes, a luz lhe agradava. Sentia-se aquecido, e seu coração batia mais forte, quase pulava do peito.

Todo esse turbilhão de sentimentos se misturava de acordo com que ia andando em direção à menina. Certas vezes parava e pensava em não ir. Noutras, pensava em voltar à sua cadeira. Em algumas, sem qualquer motivo aparente, começava a andar em direção à saída. 

Os passos marcavam o tempo parado ao calçar o piso do palco, onde, ao centro, estava a menina da luz. Agora, mais perto, a garota parecia emanar a luz da face. Se aproximou em passos mais meticulosos e dignos de espião, não conseguindo, de forma alguma e em momento algum, olhar diretamente para essa luz que lhe trazia uma mistura de sentimentos. 

Em uma olhada de sorte, conseguiu ver que a luz tinha origem dos olhos da menina, os cujos quais eram impossíveis de se ver. A luz cursava todas as direções do recinto. 

O rapaz, então, se aproximou dela com os olhos fechados e as duas mãos em seu rosto. Ia se aproximando quando, num descuido, abriu os olhos.

O que viu?

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A vida que brinca

Chega um momento em que a vida parece querer brincar com você.

Dia de marmota, sempre as mesmas tristezas, mazelas, e preocupações ocupam a sua mente. E , não sendo o bastante o que já está acontecendo, mais preocupações e desapontamentos brotam nesse jardim.

Esses sentimentos, de tão constantes, parecem se materializar em grades, que se levantam do solo ao seu redor, e parecem lhe impedir o alcance da felicidade. A confusão é demasiada, e a volta ao passado é iminente. Apesar de ter prometido a si mesmo que voltar não valia a pena, você o faz. E prova que estava certo. Se pergunta o sentido de tudo isso. Há mesmo um constante observador querendo brincar com você ou é esquizofrenia demais?

Quando tudo está no seu limite, você tenta se segurar em qualquer resquício do que parece ser um apoio. Surge uma faísca.

E, por algum motivo totalmente irracional, uma chama se apossa do seu coração, e passa a descongelá-lo. Isso atrai a esperança, que já desfalecia no frio. O raciocínio, que também adormecia, volta a falar com você.

Começa a entender que o dia de marmota não é uma condição do universo. É sua. As tristezas, mazelas e preocupações vêm, porém cabe a ti deixá-las ir. O jardim, que já se encontrava mal-cuidado, torna-se suscetível a novas ervas-daninhas. Também passa a raciocinar de que o passado não lhe faz feliz, o que justifica o mesmo sentimento com o presente.

Beira o entendimento do sentido de tudo isso: Aprendizado? Fortalecimento?

E tenta lembrar de onde viera a faísca.

Brinca com a vida.

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