Arquivo de junho \28\UTC 2011

Sentia

A neblina densa cobre os olhos de quem antes via, sentia, urgia.

Lembrava-se do sol em seu peito, acendendo a chama contida e fria, guardada em seu peito. O tato aguçado buscava um apoio na paixão, mas o ‘não’ paciente, esperava furtivo. Feito a iminência da faísca beirando o rastilho, seu coração esperava o mínimo, e o máximo tendia.

Os braços seguravam o fardo do novo, e o novo buscava um fardo para si. Sentia-se descalço sobre a grama orvalhada, à manhã nublada. Fitava o choroso horizonte, mas não chorava, sorria. A neblina cobria seus olhos, urgia.

Sentia.

Deixe um comentário

Borrões

A amargura de que o peito pede e não lhe é concedida, ascende.
As mentes morticíneas de sermões já impostos e engolidos, gritam.
O peito, por sua vez, sufocado pela ânsia de se abrir, cala.
A boca foi má dita, porém clama a verdade reprimida.
Lamúrias por muito gozo, e nenhuma vida.
As grades são focadas, douradas e me pedem abertura.
Afronte, a frente, os meios se exprimem.
A beleza da escriba, o luxo na frege, as retas e espaços…
Reprimem-se por uma mente maior, e pela vontade de bonar-se.
Cheiro de tinta, borrões, e na manchete o unipensamento.

Deixe um comentário