O Pequeno Guerreiro


Era uma tarde rósea, e o astro maior se escondia por trás do morro. Ali perto, numa aldeia indígena, os guerreiros se preparavam para a caça. Músculos enriquecidos e postura exímia marcavam aquela fronte de caça e batalha. Arqueiros se postavam juntos aos portadores de lanças feitas de pau, que se misturavam com os mais musculosos -encarregados de livrar ou aproveitar obstáculos maiores- formando o exército da aldeia.

Apenas um ali não era guerreiro, era um suporte, porém era chamado de pequeno guerreiro pelos seus companheiros de batalha. Ajudava em tudo: tecia as redes de pesca, afiava lanças e flechas, buscava água e estendia o couro. Ninguém sabia o que se passava com o pequeno índio raquítico. Todos chamavam-no de pequeno guerreiro. Mal abria a boca, o fazia apenas para pedir água e comida, o restante, gesticulava. Suas pernas mais pareciam varetas de palha, seus olhos tinham um foco além do pensamento, e olhavam sempre para baixo. Apenas ouvia as conversas de batalhas individuais contra onças pintadas e jacarés de sete metros, às vezes sorria.

Observava também o fracasso daqueles guerreiros quando agiam em conjunto. Apesar de não falar, notava um silêncio ainda maior quando estavam caçando. Arqueiros atacavam de perto, enquanto os outros ficavam pra trás, um esbarrava no outro, e os mais musculosos ficavam parados sem saber o que fazer. O pequeno guerreiro, nessas situações, apenas pensava e observava, às vezes sorria.

Após um dia de batalha falha, o pequeno guerreiro se postou à frente das cabanas e bradou “Amigos!”, todos se surpreenderam, e olhavam-no com enorme curiosidade “Não luto, porém observo. Organizar para depois lutar, se defender para depois atacar. Tentemos isso na batalha do amanhã.” e sorria como sempre fazia ao fim de cada derrota. De repente um dos guerreiros exclamou “Pequeno guerreiro, por quê sempre ri em nossas derrotas? Por quê não ajuda-nos a lutar?”, o pequeno guerreiro nada respondeu.

Após uma boa noite de sono, todos os guerreiros foram chamados pelo pequeno, e ouviam suas táticas com atenção. Ao fim daquela tarde, todos celebravam a fartura proveniente da brilhante vitória proporcionada pela organização que o pequeno fizera. O pequeno guerreiro se voltou para o companheiro que o questionou  na noite passada e disse “Nem sempre lutar é a resposta. Obsverar, ouvir e nada brandir é excencial. Eu ria do erro, pois é a melhor dádiva que existe, melhorar a cada dia, almejar sempre o topo, e lutar com conciência até a morte”. A batalha foi vencida, porém naquela noite os guerreiros ganharam um prêmio melhor. Tinham agora um líder.

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