Arquivo de março \31\UTC 2011

O Pequeno Guerreiro


Era uma tarde rósea, e o astro maior se escondia por trás do morro. Ali perto, numa aldeia indígena, os guerreiros se preparavam para a caça. Músculos enriquecidos e postura exímia marcavam aquela fronte de caça e batalha. Arqueiros se postavam juntos aos portadores de lanças feitas de pau, que se misturavam com os mais musculosos -encarregados de livrar ou aproveitar obstáculos maiores- formando o exército da aldeia.

Apenas um ali não era guerreiro, era um suporte, porém era chamado de pequeno guerreiro pelos seus companheiros de batalha. Ajudava em tudo: tecia as redes de pesca, afiava lanças e flechas, buscava água e estendia o couro. Ninguém sabia o que se passava com o pequeno índio raquítico. Todos chamavam-no de pequeno guerreiro. Mal abria a boca, o fazia apenas para pedir água e comida, o restante, gesticulava. Suas pernas mais pareciam varetas de palha, seus olhos tinham um foco além do pensamento, e olhavam sempre para baixo. Apenas ouvia as conversas de batalhas individuais contra onças pintadas e jacarés de sete metros, às vezes sorria.

Observava também o fracasso daqueles guerreiros quando agiam em conjunto. Apesar de não falar, notava um silêncio ainda maior quando estavam caçando. Arqueiros atacavam de perto, enquanto os outros ficavam pra trás, um esbarrava no outro, e os mais musculosos ficavam parados sem saber o que fazer. O pequeno guerreiro, nessas situações, apenas pensava e observava, às vezes sorria.

Após um dia de batalha falha, o pequeno guerreiro se postou à frente das cabanas e bradou “Amigos!”, todos se surpreenderam, e olhavam-no com enorme curiosidade “Não luto, porém observo. Organizar para depois lutar, se defender para depois atacar. Tentemos isso na batalha do amanhã.” e sorria como sempre fazia ao fim de cada derrota. De repente um dos guerreiros exclamou “Pequeno guerreiro, por quê sempre ri em nossas derrotas? Por quê não ajuda-nos a lutar?”, o pequeno guerreiro nada respondeu.

Após uma boa noite de sono, todos os guerreiros foram chamados pelo pequeno, e ouviam suas táticas com atenção. Ao fim daquela tarde, todos celebravam a fartura proveniente da brilhante vitória proporcionada pela organização que o pequeno fizera. O pequeno guerreiro se voltou para o companheiro que o questionou  na noite passada e disse “Nem sempre lutar é a resposta. Obsverar, ouvir e nada brandir é excencial. Eu ria do erro, pois é a melhor dádiva que existe, melhorar a cada dia, almejar sempre o topo, e lutar com conciência até a morte”. A batalha foi vencida, porém naquela noite os guerreiros ganharam um prêmio melhor. Tinham agora um líder.

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Distância


Metáfora mais sensata não há.
Se elo entre dois corações, é mágoa.
Se ébria pelo fingimento, é dor prolongada.
Se deixada de lado, é falsa sensação de leveza.
Se levada a sério é loucura.
Se distante, melhor.
Metáfora mais sensata não há.

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Mini-pensamento sobre a morte

A morte é mudar, e assim como as
plantas precisam da água, o ser humano precisa da mudança.
Não que precise morrer, porém quando for,
quem sabe esta mudança já não seja um novo início?

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Fruit Ninja HD – Salada de frutas na ponta dos dedos

Fruit Ninja, game da Halfbrick -mesma criadora dos títulos MonsterDash e Age of Zombies- há algum tempo já popular no iPhone e iPod, chega agora ao iPad para empolgar os antigos fãs e alcançar novos aspirantes ao ninjutsu anti-frutas. Com uma exploração máxima da tela, o objetivo do jogo em seu modo clássico é deslizar os dedos sobre as frutas que são jogadas tentando evitar a queda das mesmas e o corte instintivo das bombas.

Levando em conta que a estrutura de Fruit Ninja HD é grande para uma mecânica tão simples, a facilidade de navegação entre os menus de modos de jogo e opções de ajustes tornam-se notáveis. Alguns delays -como a entrada do jogo junto ao Gamecenter quando é iniciado ou a volta rápida a um menu anterior- mostram-se grandes antagonistas aos developers do game para um próximo update.

Como já dito, a mecânica do jogo é simples: apenas deslizar os dedos sobre a tela com o intuito de partir as frutas. A única alteração é a mudança dos modos de jogo. No Zen Mode não há bombas, é o clássico estilo high score, há também o Arcade Mode (baseado em frutas com bônus, score e bombas que decrementam o mesmo), e o Classic.

Até ai o game é o mesmo do iPhone e iPod, porém o diferencial maior é a maximização e adaptação para a tela do iPad. O Dojo Mode, aonde você escolhe alguns papeis de paredes usados durante o jogo e o efeito das lâminas -partindo de lâminas de fogo até lâmina Disco- é muito mais visível e, consequentemente, muito mais explorável, o que acrescenta na diversão do game.

Outro diferencial de Fruit Ninja HD é a implementação de um mutiplayer offline. Neste modo, a tela é dividida de forma vertical fazendo com que os jogadores fiquem frente a frente. O leque dos modos de jogo no mutiplayer offline é o mesmo dos singleplayer, uma singela diferença é a atualização do score do adversário em tempo real no canto superior esquerdo da tela.

Juntando uma mecânica simples cercada por três modos de jogo, customização dentro do game, e a possibilidade de jogar com os amigos em um só aparelho, Fruit Ninja HD vale o preço (atualmente U$4.99). Portanto prepare seus dedos, e um potinho para salada de frutas.

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Necessidade

“Estamos sempre tentando conquistar adeptos para as nossas explicações do Universo. Achamos que a quantidade de pessoa que acredita na mesma coisa que acreditamos é que irá transformar esta coisa em realidade.”

Petrus*

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How to Achieve Immortality

Texto publicado originalmente no blog do Mago

When he was still a young man, Beethoven decided to compose a few improvisations on a music by Pergolesi. He devoted months to this task and finally had the courage to publish it.

A critic wrote a full page review in a German newspaper in which he launched a ferocious attack on the music.

Beethoven, however, was quite unshaken by his comments. When his friends pressed him to respond to the critic, he merely said:

‘All I need to do is to carry on with my work. If the music I compose is as good as I think it is, then it will survive that journalist.
“If it has the depth I hope it has, it will survive the newspaper too.
“Should that ferocious attack on what I do ever be remembered in the future, it will only serve as an example of the imbecility of critics.’

Beethoven was absolutely right.
Over a hundred years later, that same review was mentioned in a radio programme in São Paulo.

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Limite

A criança brincava com a areia da praia nublada, seu castelo urgia o ponto mais alto. Apenas com o toque conseguia prever e imaginar o formato em sua mente. Era genial. Até a mais curvelínea abóboda fora meramente calculada por seu tato febril e suave, as bordas das janelas e as esculturas nas portas ainda estavam interminadas. Suas mãos escavavam ao redor do castelo formando uma defesa espontânea de água, deixou uma fresta de areia à frente da entrada para simular a ponte. A neblina ia cobrindo a base da praia, porém a pureza da criança tangia o medo. Seria a metáfora ideal para o resumo de sua vida…

Levantou-se ao sentir o toque de alguém em seu ombro, sorriu e desmontou o castelo, afinal mais e melhores poderiam ser construídos. Era cega, e não se limitava.

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